Granulado, solúvel, torrado, moído, descafeinado. Forte, suave, extra-forte, doce ou amargo. Não importa como, não importa quando. O café está em todos os lugares, ganhou o mundo. Você pode degustar um cafezinho numa mesa charmosa da Piazza San Marco em Veneza, embalado sob o som de um violino, como também numa mesa generosa de uma fazenda no interior do estado acompanhado por um delicioso bolo de fubá. O sabor é o mesmo, que lembra aconchego, que lembra bem-estar, que lembra a casa da gente. O aroma? Esse nem se fala...
Reza a lenda que, numa pequena aldeia da Etiópia, um pastor observou que suas cabras ficavam mais dispostas ao comer o fruto de uns arbustos encontrados no campo. O pastor então resolveu contar a um monge sobre o tal fruto. O monge por sua vez experimentou na forma de bebida e sentiu que aquilo o ajudava a resistir ao sono enquanto orava. Em pouco tempo, vários monastérios começaram a utilizar o tal fruto, criando uma demanda pela bebida, que mais tarde se tornou conhecida como café.
Lenda ou não, a única certeza é que exemplares nativos dessa espécie podiam ser encontrados em toda a faixa equatorial que atravessa o continente africano. Os árabes do Iêmen foram os primeiros beberrões de café. A bebida era conhecida como “vinho árabe” quando chegou à Europa no século XIV. E foi só no século XVII que os europeus começaram a cultivar a planta e fazer da bebida uma das mais consumidas no velho continente, tornando-a parte definitiva do dia-a-dia.
Hoje, não seria exagero nenhum dizer que o tradicional chá das cinco inglês está sendo substituído pouco a pouco pelo café. O número de cafeterias nas ruas de Londres é tanto que o aroma do café já faz parte do cheiro da cidade. Os franceses vieram na frente com seus “Cafés” onde os intelectuais se reuniam e refletiam entre um gole e outro na primeira metade do século passado. Os italianos adoram o expresso e, como bons gourmets, inventaram o cappuccino acrescentando chocolate. Os escoceses, claro, incrementaram a bebida com uma dose de whisky e criaram o scottish coffee. Já os americanos tomam café em copos enormes como se fosse refrigerante.
Mas desculpem os outros povos: café é coisa brasileira! Ele fez e faz parte da nossa história, da nossa economia, da nossa cultura. Nada mais brasileiro que “passar um cafezinho” para oferecer para a visita que acabou de chegar. Nada mais brasileiro que uma boa xícara de café com leite e pão com manteiga no café
da manhã.
GOSTINHO NACIONAL
Com a reputação de ser um produto de propriedades medicinais, revigorador do intelecto e excitante, o café foi levado pelos europeus para todas as colônias. Aqui no Brasil, entrou pelo norte do país em 1727, vindo das Guianas. E logo passou a ser cultivado no Pará, Maranhão, Ceará, Vale do São Francisco, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Mas a história do café no país começou de fato no final do século XVIII quando as primeiras mudas chegaram ao Vale do Paraíba. Daí para o resto do estado de São Paulo foi num gole só. Em muito pouco tempo, na metade do século XIX, São Paulo já aparecia na lista dos grandes produtores e exportadores de café, que ganhou até o apelido de “ouro verde”. Os primeiros imigrantes começaram a chegar da Itália e os “Barões do Café” a ocupar lugares de proeminência na cena política nacional. O café tornou o estado de São Paulo o mais poderoso do país.
Na década de 20, o Brasil atingiu o lugar mais alto entre os países exportadores de café. Mas o preço despencou bruscamente com a quebra da bolsa de Nova York em 1929, quando milhões de sacas estocadas foram queimadas e milhões de pés foram erradicados. Mesmo assim, o mercado do café retomou sua importância nas exportações brasileiras e hoje o Brasil é sim o maior produtor do mundo, responsável por 30% do mercado internacional. Quanto ao consumo, os brasileiros ficam em segundo lugar no ranking, só atrás dos Estados Unidos
CAFÉ REVISITADO
Aquele cafezinho servido em copinho de plástico, já adoçado e feito com pó de qualidade duvidosa já era. O café hoje em dia precisa e deve ser degustado. Assim como o vinho. E na tentativa de elevar o padrão ao status de bebida fina, as cafeterias especializadas invadem São Paulo. Já são mais de mil espalhadas pela cidade, que servem o chamado café gourmet e para quem procura o supra sumo do café existem aproximadamente 10 cafeterias que servem cafés especiais. O preço não é muito doce, podendo uma xicrinha chegar a custar mais de 3 reais. Se a intenção é comprar esse mesmo café num supermercado, o quilo pode passar dos 20 reais. Mas quem disse que satisfação tem preço?
Uma pesquisa da Secretaria de Agricultura do Estado mostra que o consumo do café expresso em cafeterias na cidade aumentou 30% em relação a 2000. A tendência é crescer ainda mais. E o preparador desse café já tem nome: barista. Sim, um café expresso bem feito, cremoso, com aquela espuminha perfeita que adere à xícara tem que ser preparado por um barista. De preferência numa máquina italiana, capicce? Se você quiser aprender as técnicas dos baristas ou até se tornar um, o Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo oferece cursos de formação básica e avançada, com degustação de diferentes tipos, preparo de cappuccinos e bebidas diferenciadas a base de café. Mais informações pelo telefone 3258-7443 ou no site www.sindicafesp.com.br.
CURIOSIDADES
Vai uma bica aí?
Em Portugal, o café é chamado de “bica”. É que os primeiros expressos eram vendidos sem açúcar, o que não agradou aos nossos patrícios. Para contornar o problema, um slogan foi criado para atrair os clientes: Beba Isso Com Açúcar. E das iniciais dessa frase BICA veio o apelido do café.
O significado da palavra que deu origem ao nome “café” já fala por si só: o excitante. É esse o significado de Kahoua ou Qahwa em árabe.
Na África e no Oriente Médio é comum acentuar o sabor do café com especiarias como canela e cardo momo, alho ou gengibre. Já na Grécia o café é acompanhado por um copo de água gelada. E na Suíça, é comum adicionar um licor chamado "kirsch".
O pai de Santos Dumont era considerado o rei do café no país, com mais de 5 milhões de pés plantados na região de Ribeirão Preto (SP). Como Santos Dumont estudava na Europa, ele era um divulgador da produção do pai, que seria “a melhor do mundo”. Isso fez surgir a expressão “café santos” como sinônimo de bom café, o que não tem nada a ver com a cidade portuária por onde saía e sai a produção nacional.
Os esotéricos lêem à sorte na borra do café, o que é chamado de cafeomancia, o que é muito comum na Turquia, por exemplo. Eles acreditam que a figura formada no fundo da xícara pode mostrar muito mais do que o fato de que a louça precisa ser lavada.
DICAS PARA O MELHOR SABOR
A preparação do café deve obedecer algumas regrinhas fundamentais para obter o melhor sabor da bebida. Já na hora de comprar, verifique a data de fabricação: o café recém torrado é mais saboroso. O pó de café se deteriora facilmente em função do ar, da umidade, do calor, do tempo e do contato com odores estranhos. Por isso, é necessário armazenar num recipiente com boa vedação.
Prepare somente a quantidade de café que vai ser consumido imediatamente ou, no máximo, durante a hora seguinte da preparação. Para o gosto brasileiro, o ideal é utilizar de 5 a 6 colheres de sopa de pó para um litro de água, que deve ser apenas aquecida. Se a água ferver, ela perde oxigênio e isso altera a acidez do café. Não esqueça: a temperatura ideal de preparo é próxima dos 90°C. E nunca prepare ou armazene a bebida já adoçada porque uma crosta de caramelo de mau sabor acaba se formando nas paredes da garrafa térmica, interferindo no sabor final.
São duas as espécies de café mais cultivadas no mundo, cada uma com uma particularidade: o café Arábica e o café Robusta (ou Conillon). O Arábica produz cafés de melhor qualidade, tem aroma e sabor mais intensos, com variações de acidez e três vezes menos cafeína do que o robusta.
Os tipos de preparo são muitos. Os mais conhecidos são:
Filtragem: o pó é acondicionado em um filtro, de papel ou de pano, com adição de água quente por cima. Este método é o mais utilizado aqui no Brasil, através de coadores caseiros e cafeteiras elétricas, dando origem ao tradicional cafezinho.
Pressão: é o famoso café expresso. O café é moído na hora e colocado num filtro que sofre pressão da água, gerando uma bebida cremosa e aromática. Criado pelos franceses, o expresso é considerado o método mais apropriado para apreciação de todas as nuances do café.
Percolação: é o método onde se coloca o pó de café no centro de um equipamento chamado moka, que faz a água entrar em ebulição e pressionar o café líquido para um recipiente. É a forma mais utilizada na Europa.
Prensagem: em um recipiente de vidro se coloca o pó de café misturado com água quente. Em seguida, um filtro pressionado por um êmbolo separa o pó do café da bebida. O método, que virou moda entre os norte-americanos, é conhecido também como Prensa Francesa.
Da época áurea do café em São Paulo, ficaram fazendas coloniais com belas sedes que se transformaram em hotéis. Você pode visitar algumas delas. O passeio é histórico, compensador, adorável. Tome nota:
Fazenda Pinhal
Declarada Patrimônio Histórico Nacional, a fazenda está no município de São Carlos e compreende a casa grande, os terreiros, a tulha, a antiga senzala e as plantações. Você pode fazer reservas nos telefones:
(11) 3064-3663 e (16) 3375-7142 O site é: www.fazendapinhal.com.br.
Fazenda Prata
A 268 km de São Paulo, a antiga fazenda está no município de Mococa. Além das plantações de café que ainda existem por lá, você pode visitar a trincheira da revolução de 1932. Informações pelos telefones: (11) 3081-4192, (11) 3079-7646 e (19) 3287-5894 Ou pelo site:
www.fazendaprata.com.br.
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Receita Noturno
A dica do IL BARISTA CAFÉS ESPECIAIS é o drink “NOTURNO” criado pela especialista Gelma Franco que reúne com bastante harmonia vinho do Porto com café expresso.
Segundo Gelma, o vinho do Porto distingue-se dos vinhos comuns porque tem uma enorme intensidade de aromas e uma persistência muito elevada de sabor. Além disso ele é um vinho licoroso e ao ser ligado a um expresso, feito com grãos especiais, forma uma combinação inusitada e bastante saborosa para ser degustada com prazer pelos apreciadores dessas duas bebidas universais: Café e Vinho!
iNGREDIENTES
1 dose 50 ml de café expresso
1 dose 50 ml de vinho do Porto
60 ml licor de Amaretto
30 ml de Leite condensado
Canela para polvilhar e decorar
PREPARO
Misture o café com o vinho de forma bem suave, acrescente o licor e o leite condensado, misture mais um pouco e sirva numa taça de vinho
IL BARISTA Cafés Especiais
Rua Verbo Divino, 1385
Chác. Sto. Antonio - Tel.: 5181-1671